• Elis Busanello

CANSEI DE BLÁ BLÁ BLÁ

Em todo canto tem algum “herói” falando em inclusão e pregando a sua forma de incluir, que na maioria das vezes não passa de defender a diversidade de cor da pele, sexo ou orientação sexual e religião. Estes mesmos que acusam outras pessoas de homofobia e racismo, podem ser também aqueles que se distanciam dos amigos quando eles estão doentes. É importante considerar que, de alguma forma, em algum contexto, nos também excluímos. O filme Crash - No Limite, produção de 2004, exemplifica isso, mostrando o aspecto luz e sombra de todas as pessoas. Eu vivi isto na pele e sei do que eu estou falando.

2007 foi um ano de grande mudança na minha vida. Saí da empresa onde estava há seis anos e onde cresci e contribui. Saí porque o stress estava muito grande e sentia que os meus valores estavam sendo agredidos. Entrei 2008 me adaptando a nova vida, me desdobrando para conciliar família e trabalho, tanto na atividade autônoma, ministrando cursos e fazendo palestras, quanto na agência de comunicação digital que criei junto com um sócio. Nesta época eu aprendi a dura penas, que muitas pessoas nos veem como peças dentro da engrenagem de uma empresa e, quando você assume o seu sobrenome e deixa de ser a Elis da Empresa X, seu valor diminui no mercado e então, algumas portas se fecham. Estas portas antes eram puro interesse na empresa que você representava. Isto é uma forma desrespeitosa de excluir. Isto é uma versão do que chamam hoje de cancelamento.


Mas tem pior. No segundo semestre de 2008 recebi o duro diagnóstico de câncer de mamas, com recomendação de mastectomia bilateral. Aí sim eu entendi o que é cancelamento. Eu tinha um contrato de consultoria e os comuniquei que faria a cirurgia e depois 04 meses de quimioterapia. Perguntei se poderíamos fazer a continuidade da consultoria após o meu retorno, pois já tínhamos encaminhado 70% do projeto. Alguém que influenciava a decisão da organização que me contratou, disse que era melhor interromper e eu devolver 5% do valor do contrato, porque eles haviam pago 75% da consultoria e não havia garantia que eu retornaria. Eu devolvi aproximadamente R$ 500,00. Mas o pior foi ser excluída porque desacreditaram na minha cura.


Entenderam porque cansei de blá, blá, blá?


Cor da pele, sexo ou orientação sexual e religião, são alguns aspectos da diversidade. E esta diversidade é a superfície da inclusão. Não estou diminuindo a importância dela, estou dizendo que tem muito mais. E tem mais que a inclusão também.


Até as crianças são canceladas. Em pesquisa realizada pelo instituto ISMA, 63% das crianças reclamaram da desaprovação na família, que é agravada na desaprovação na escola, por colegas e professores.


Provavelmente você já viu filhos chamando os pais de ultrapassados e ignorantes. Já viu maridos rotulando mulheres de burras, chatas e fora de forma. Já viu esposas rotulando seus maridos de fracos, grosseiros e insensíveis. Já viu colegas fofocando, apontando defeitos e rotulando uns aos outros. Talvez você já tenha visto mães criticando as mulheres que resolveram não ter filhos. E já viu muitas pessoas criticando os empresários, dizendo que eles enriquecem às custas dos empregados. Se isto não é exclusão, é o quê?


E no caso do câncer, tem “amigos” que se afastam com a desculpa que não aguentam ver você sofrendo. Mentira! Não eram seus amigos e só estavam perto quando você tinha prestígio. Isto também acontece quando você tinha uma posição social e deixa de ter, quando tinha “o sobrenome” de uma empresa de grife e sai dela para recomeçar por sua conta.

Uma pessoa que não se sente aceita na família, como vai repercutir aceitação na sociedade? Está aí a origem da baixa autoestima, que gera autocrítica e baixa autoconfiança e por isso, destruir os outros é um modus operandis. (Isto vai render um outro artigo.)


Está na hora de sermos mais profundos e responsáveis com o tema inclusão. Ela é fundamental, é base, e isso não se discute. Tem que existir na forma da soma dos diversos, entretanto, para funcionar eles precisam dos 3 Cs: Caráter, Competências e Comportamentos. Esta é a base sólida para que a inclusão funcione. E igual uma casa, sem base sólida, tudo o que vem depois não se sustenta. É a base de caráter, competências e comportamentos que torna pessoas, famílias, empresas e grupos sociais fortes. Mais que inclusão é sobre atitudes nas conexões humanas.


Eu acredito que o ser humano é infinitamente maior do que aquilo que vemos e rotulamos. E é por isso que você que leu este artigo, é fundamental na construção de um mundo melhor, com senso de humanidade e valores humanos nobres. E por isto eu chamo de “Mais Que Inclusão”.


Elis Busanello