• Elis Busanello

DE PEDRA A DIAMANTE

Faz tempo que estou devendo este relato. Agora que decidi colocar o projeto PALCO ROSA para andar, entendi ser o momento certo. Em 2003 percebi um nódulo na mama direita, procurei um mastologista e ele concordou que tinha, mas disse, o nódulo da mama esquerda me preocupa mais. Eu não tinha percebido este. O médico sugeriu que eu acompanhasse ambos, com exames periódicos. Meu pai estava doente e eu pensei, agora meu pai é prioridade. Em 2004 vivi o luto da perda dele na alma. Meu corpo estava no piloto automático. Dois anos depois fiz um exame de mamas e os nódulos estavam lá, sossegados, e assim nos anos seguintes. O primeiro semestre de 2007 foi estressante na vida profissional. Em agosto fiz uma transição de carreira voluntária e em setembro sofri o sequestro junto com minha filha. Na sequência minha família ficou fragilizada e o primeiro semestre de 2008 foi desafiador na vida pessoal. Em julho a mama começou a doer. Telefonei para a minha mãe e pedi que ela viesse para segurar a minha mão no dia que eu recebesse o diagnóstico, fosse ele bom ou ruim. Ela veio. Nós sabíamos que na família, mais de 20 primas já haviam sido diagnosticadas com câncer e infelizmente, até ali, apenas uma havia superado. Em setembro de 2018, confirmou o que eu temia. Saí do consultório do mastologista Dr. Rebelo de Itajaí, com o diagnóstico de CA de Mamas nível III e necessidade de mastectomia urgente (ele recomendou extirpar a mama esquerda, tirar um quadrante da direita e fazer o esvaziamento axilar, no máximo em 20 dias). Eu fiquei atordoada, olhava as pessoas nas ruas e via que elas tinham cabelos, sorriam, tinham pressa, falavam alto, elas eram de outro planeta, o planeta da saúde e eu não fazia mais parte dele. Isto era estranho! Eu não sabia como deixar de ser uma pessoa ativa no trabalho e na família, para parar e me tratar, aceitando ter o corpo mutilado, ficando careca, recebendo doses de medicamentos agressivos, correndo risco de vida.


Até aquele dia, eu havia passado apenas duas vezes pelo hospital, para ganhar meus dois filhos mais velhos e haviam sido momentos de muita alegria. Dentro do carro, em frente ao prédio que morávamos em Balneário Camboriú, meu marido telefonou para a mãe dele e chorava muito, dizendo: Mãe, a Elis não pode morrer! Ele estava mais atordoado que eu. Telefonei para a Dra. Marilene Tonin, minha ginecologista e falei o diagnóstico. Ela respondeu: - Você não está sozinha. Eu estou aqui e vou ajudar você em todas as providências. Vamos resolver isso Elis, confia. Telefonei para a minha irmã mais nova, a Cássia e contei que o diagnóstico não era nada bom. Ela respondeu: - Então agora pratica o que você ensina.


Nesta época, eu já dava treinamentos na área de desenvolvimento humano, abordava nosso potencial mental e inteligência emocional. Dormi sabendo que no dia seguinte, bem cedo, eu estaria a caminho de Brusque, para dar um treinamento na FIP. Foquei na responsabilidade de entregar o que havia prometido para o meu cliente. O câncer estava em mim. A equipe dele precisava do meu apoio profissional, não do meu drama pessoal. Saí de lá e procurei no mesmo dia a Associação Amor Próprio em Itajaí, perguntei como seria o tratamento e ouvi da pessoa que me recebeu: “Cada uma com o seu processo”. Saí dali pensativa. Eu já não estava mais atordoada, estava digerindo a minha nova realidade.


Os dias que se seguiram foram intensos, entre exames, providências e muita fé. Recebi suporte de espíritas, evangélicos e católicos. Eu fui até eles e pedi ajuda. Cresci numa família católica, mas sou muito livre na relação com as religiões. Acredito que meu acesso com Deus é direto. Busco apoio terreno porque, também acredito no bem que as pessoas emanam e nós podemos nos fortalecer neste amor e compaixão orientado pela conexão delas com o Divino.


Durante o tratamento, coloquei minha inquietação e dinamismo para cultivar horta e jardim no apartamento, pintar e bordar, literalmente. Quando a quimioterapia estava entrando em meu corpo eu imaginava que minha artérias eram o sambódromo, todas as células na volta eram aquele público feliz e a medicação (a famosa vermelhinha power) era a escola de samba nota 10! Nada podia ser menos do que isso. As minhas células aplaudiam a perfeição da química criada para me curar. Cortei o açúcar e caprichei na alimentação. Caminhei na praia cantando canções energizantes. Às vezes eu me escondia para chorar um pouquinho. O mastologista havia me avisado. Primeiro você será apoiada pela sua família, depois, quando eles perceberem que você sobreviveu, eles vão cair e será você que vai dar ter que dar suporte emocional. Acertou em cheio.


Eu estava careca, usando lenço, havia feito a segunda terapia e tive uma grande decepção. A dor na minha alma feminina foi muito grande. Chorei muito. Era dia 23/12/2008, quase Natal. A minha psicóloga Elaine Marta meu atendeu generosamente dentro do carro e disse: - Até quando você precisa aguentar isso? Foi o suficiente! Arranquei o lenço e sequei as lágrimas. Retomei a minha vida. Cuidei de mim e desde lá, sou a protagonista da minha história. Meu lema é: - "O que somos é um presente de Deus. O que nos tornamos, é o nosso presente para Ele. E hoje, dedico minha vida a apoiar a quem deseja mudança, transformação, realizar uma vida de significado e deixar um legado para as próximas gerações. Nos bastidores, fortaleço pessoas que desejam autoconhecimento, desenvolvimento e evolução. O potencial humano é extraordinário e, se depender de mim, todos brilham, tem sucesso e felicidade, na vida pessoal e profissional. Assumi meu segundo lema de vida: - *Felicidade a gente não adia*

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Elis Busanello Coach, mentora e palestrante

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